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É possível viver para além disto!

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Shame on me

07
Out19

Hoje foi um dia particularmente difícil, mas chego à noite (agora que vos escrevo) com um sentimento de vergonha em relação à minha pessoa.

Como já vos disse, sou filha de pais divorciados, mas isso não é o problema. O problema foi que a forma diferente de cada membro da família ver as coisas que aconteceram na nossa vida sempre nos prejudicou e afastou. No meu caso, acho que já disse isso aqui, sempre fui a mais lúcida, ainda que tenha criado imensas barreiras e esteja hoje a tentar destrui-las e caminhar sem olhar para o passado.

O passado fará sempre parte de mim, não duvido disso. Só que quero ser superior a isso, quero ser eu a vencer o passado e não deixá-lo vencer-me a mim.

Por isso, hoje dizer-vos que sinto "shame on me" (parece mais fácil em inglês!).

Quando acordei de manhã, estava bem, serena, tranquila. Sentia-me em paz. 

Um evento entre mim e o meu irmão mudou tudo. E porquê? Porque eu permiti-me sentir uma dor que devia ter deixado pelo caminho da evolução. E agi impulsivamente.

E neste evento entre mim e o meu irmão, envolvi a minha mãe e também a ela lhe disse o que sentia, o que me ia na alma. Mas também aí falhei, porque apesar de eu estar num processo de evolução, quem está à minha volta não está e por isso não entende(u) a minha mensagem. E, mais uma vez, isso magoou-me.

Ou seja, um dia que tinha começado bem, ainda com poucas horas do dia, torna-se um dia doloroso. Em que volto a ter um sentimento de solidão. De um abandono inexplicável. Como se estivesse sozinha no mundo.

E o que fiz? Passo grande parte do meu dia a falar com o meu anjo e a tentar transmitir-lhe o que sinto. O meu anjo compreende. Ouve-me, chama-me à razão, dá-me colo. Hoje era só isso que eu queria: colo. 

Vou ver o mar, porque adoro o mar, porque quando bravo identifico-me com ele. A confusão de pensamentos que vai dentro de mim é demasiado. Choro e choro muito. 

Mas não desisto de tentar perceber como posso ficar melhor. Venho para casa, deito-me no sofá e tento dormir. Não consigo. Os pensamentos não param, o sentimento de dor não diminui. Coloco um filme a dar, não me foco nele. Então, decido focar-me em mim. 

E nesse focar em mim tento perceber o que realmente mexeu tanto comigo hoje. E ao descobrir o que mexeu comigo hoje, questiono-me como é que posso fazer para amanhã não me afectar como afectou.

E nesta reflexão apercebo-me que o que hoje fiz foi desrespeitar(-me) o caminho de evolução que venho fazendo, porque deixei que um simples telefonema em que a conversa foi desagradável me mandasse abaixo e estragasse um dia que tinha tudo para ser bom.

E sabem porquê? Porque mais que não queira, eu amo incondicionalmente a minha família, quer eles me tratem bem, ou mal. Quer-me respeitem ou não. Quer se interessem pelo que sinto ou não. E se eu estou num processo de evolução, eles não estão, por acharem que não precisam, por acharem que estão resolvidos em relação ao que passaram, por, enfim, eles lá sabem. E é difícil evoluir quando quem nos rodeia não está na mesma caminhada e quando confrontados sobre o que nos magoa, eles não querem ouvir, e ainda mais magoados ficamos.

E a vergonha que tenho de mim hoje é uma aprendizagem enorme. Hoje foi um dia mau, mas foi também um dia de aprendizagem. Amanhã é o dia de colocar o que aprendi hoje em prática. Amanhã e todos os outros dias. 

("O poder da coragem" by Brené Brown)

 

 

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